a) Uma coisa é te darem palavras soltas sem dizer de que língua são (pode ser de 1, de 2, de 20), outra é você "aprender um idioma". Um idioma pressupõe uma unidade, em que todas as partes aprendidas se colam umas as outras. Pode ser a língua de desenhos animados, ou a língua clássica do século XVI, todas circulam dentro desse mesmo conjunto e, assim, se complementam mutuamente. b) Do mesmo modo não se aprende a profissão de físico ou químico ou programador lendo só os livros, porque falta o princípio que "cola" as coisas. Ainda que você, com muito tempo, disposição e memória, se propusesse a ler todos os livros da grade de um desses cursos, sairia de lá como o François Gouin, um famoso linguista que memorizou um dicionário de palavras de alemão e ao ir pra Alemanha percebeu que foi totalmente inútil. Ele tinha de fato memorizado as palavras, tinha o princípio de cola, mas faltava talvez um segundo princípio, complementar ao primeiro, que é a cola da língua real, n...
Vou dividir em 2 partes. I) A bad veio profunda depois que terminei o diálogo Filebo. Eu já tava mal, mas piorou. Filebo é o diálogo "sobre o prazer", mas a parte legal dos diálogos não é o conteúdo: são as técnicas que Sócrates vai ensinar enquanto raciocina. Nesse, uma das principais é que entre a Ideia (o Bem, a Virtude, a Sabedoria) e os casos concretos, ou entre o Um e o Múltiplo, ou entre, por exemplo, o Conhecimento e, imaginem, uma pilha de milhares de livros desordenados, é preciso criar categorias intermediárias. Analogamente, é o que os sofistas faziam, como no Mênon, "os tipos de virtude", ou como temos hoje "os tipos de inteligência", "os tipos de amor" etc.. É ainda equivalente a criar categorias de catalogação de uma biblioteca: fica infinitamente mais fácil mediar o múltiplo (os vários livros) pra chegar ao Um (o "Conhecimento"). Esse diálogo resolveu umas tretas minhas, mas gerou uma mais pesada. A grande questão da gen...
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