[02] cultura fragmentada


a) Fico meio puto quando falam de cultura ou filosofia ou universidade, porque falam como se nada estivesse sendo produzido, como se nada ocorresse. Mas ocorre: existem: I) academias literárias, panelinhas de escritores, os institutos históricos locais, editoras de produção de materiais locais, ... existe: II) a produção de monografias, dissertações e teses, revistas acadêmicas, eventos... existe: III) as instituições culturais (ANPUH, ABIN, SBPC, e mais umas 200), cada qual com revistas de artigos (e quem quiser pode submeter material a eles, ou acessar), e a grande maioria desse conteúdo todo está online e de graça. Tudo isso existe, e isso significa que há produção, há dinâmica, há ideias acontecendo.

b) O que NÃO há, e aí até onde sei não há nem no meio olavette, é o mapeamento disso. Em outras palavras: informações são produzidas, mas na forma de um monólogo, porque ninguém leu o outro, nem sequer procurou saber que existe ou o que faz. Assim também, não tendo uma imagem do quadro de produções, também não há como ter uma visão do "para que servem", ou "em que se encaixam". Idem, se ninguém procura ter essa visão, também nenhum desses materiais consegue levá-la em conta, daí a produção ter um alto grau de inconsciência. E, afinal, inutilidade.
c) Sobretudo hoje, com o "big data", a gente está no momento certo da abundância de informação e conexão entre as partes. Agora, mais do que nunca, poderiam nascer grandes obras, no sentido de terem abrangência e profundidade. Resta as humanidades saberem usufruir disso como as empresas de marketing e de fins políticos o fazem.

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