[04] Horizontalidade e Verticalidade

 


[03] Horizontalidade e Verticalidade
a) A gente vive imerso em trocentos conceitos que são falados o tempo inteiro. Os 4 temperamentos, os 12 signos, os 16 tipos de personalidade, as 6 doenças do espírito contemporâneo etc.. Se são palavras diferentes, é porque vieram de contextos diferentes e revelam aspectos diferentes, mas uma coisa é comum a todos eles: a horizontalidade. A gente acaba tendo mais fetiche em achar a "categoria exata" em cada um deles do que meditar no fator de horizontalidade.
a1) Horizontalidade significa que nas várias categorias não há diferença de valor: ser de leão não é melhor do que ser de escorpião; ser atodécico não é melhor do que ser horetítico; ser melancólico não é pior do que ser sanguíneo: são só categorias diferentes.
b) Mas não existe só isso. Tem ainda duas categorias conceituais: verticalidade e "concentricidade"/profundidade. Da última deixemos pra outra hora. A verticalidade, por sua vez, implica em diferença de valor. Assim, por exemplo, as 12 camadas da personalidade. Apesar de usar a mesma palavra do que os "tipos de personalidade", as camadas é uma revolução nesse sentido, porque Olavo focou na mudança vertical da existência humana. E eu tenho a impressão de que essa sua postura, e essa proposta em particular, foi uma das coisas que mais nos marcou. Por exemplo: Falcón quando delimita "os 4 graus de letramento" está usando o mesmo princípio de "verticalidade" que Olavo abriu pra gente. Isso numa época em que as ciências humanas, em que ele é formado, e como Olavo denuncia no imbecil coletivo, perdeu o senso vertical para planificar, horizontalizar todas as coisas. É altamente provável que o senso de vertical da roda olavette seja derivado do Olavo, obviamente, e essa é a grande diferença da gente.
c) Por fim existe ainda um 3º (eu não ia falar aqui, mas já falando kkk), concentricidade ou profundidade. É o que Lavelle tenta fazer com a gente ao tentar nos colocar no centro da consciência, o lugar "que recebe" tanto os dados dos sentidos, quanto os sentimentos e pensamentos. Esse "lugar", digamos, "o centro da alma/espírito" é também o lugar de onde as coisas revelam seu sentido mais profundo - não na hora, porque pode faltar conhecimento para decifrar, mas ele fica na nossa memória pronto pra ser decifrado quando esse conhecimento vier.
c1) Olavo sempre usava essa imagem de círculo concêntrico, e é algo que é facilmente visto quando analisamos as imagens que se têm dele. O centro sempre está presente, mas a consciência pode estar distante dele: e aí surgem as várias imagens parciais de quem é Olavo. Só dá pra decifrar o conjunto da sua obra se o sujeito buscou em si mesmo seu centro, porque o que ele "enxerga" nos outros é reflexo do "quão dentro" ele entrou ou não nele mesmo.
d) Então de certo modo poderíamos dizer que só há, no fundo, 3 conceitos: horizontalidade, verticalidade e profundidade. No post seguinte eu vou falar mais sobre como usar isso.

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