[05] Um pitaco sobre estudos



Este aqui é derivado diretamente do [04].
a) Quando for estudar um texto, como I) as 12 camadas da personalidade ou II) as 6 doenças do espírito contemporâneo ou III) os 4 discursos, esqueça o texto e foque nos objetos de que ele fala. Como apoio, eu acho útil prestar atenção se o conceito é vertical ou horizontal: assim, I é vertical, II e III é horizontal. Em seguida o objeto de que trata: as 12 camadas é de gente; as 6 doenças é mais do que gente, mas gente pode ser usada; os 4 discursos é "texto".
a1) Você esquece os conceitos e vai mexer nesses objetos. Os conceitos estão aí mais como uma inspiração geral, vertical ou horizontal. Mas essa parte, a da >>coleta de informações<< é mais importante do que o próprio texto. Memorizar as 12 camadas da personalidade é como ter um conjunto de taças chiques, mas vazias, e não ter nada para tomar. Por outro lado, coletar "muita fofoca" (narrativas sobre pessoas) por si só, é como ter um grande barril de água, mas se você tomar água nele vai apodrecer o resto com suas impurezas.
a2) Daí os conceitos são: 1) uma proposta de ordenação de informações, 2) um chamado par que você busque essas informações. Se você nunca parou para pensar sobre psicologia humana e tipos de pessoas, o que é um santo, o que é um grande líder, o que aproxima ou distancia dessa posição, as 12 camadas vai te chamar para isso; do mesmo modo, se nunca parou para pensar em textos, no que significa um debate de Richard Dawkins e Alister Mcgrath, ou do ateu do seu bairro com os pais evangélicos; no que é um texto poético/artístico e pra que serve etc., no que é um texto científico etc.; todas essas questões e muitas outras, o texto dos 4 discursos é excelente pra isso.
b) A ideia de verticalidade ou horizontalidade entra como um recurso genérico onde você vai coletar os dados e saber que eles estão dispostos numa linha sem diferença de valor ou com diferença de valor. Quando você fica pensando, por exemplo, se sua avó é "mais alta" (nas camadas) do que seu tio, implicitamente você está evocando essa régua. Não interessa saber se sua avó é camada 8, 5, 10 ou 20, interessa esse senso de percepção mais apurado sobre a psicologia humana, que é aberto >> por causa<< do texto do Olavo. É pra isso que ele serve, no fim das contas. Tem que "abrir os conceitos" e focar nessa coleta consciente de informações, sem medo nem vergonha: não se trata de julgar as pessoas, ou os objetos em questão, como quem quer condená-los; se trata simplesmente de estudar para compreender. E, nesse caso, como um cientista, ser dócil a esses objetos (ou pessoas) sem julgá-las de fato, sem querer condená-las nem nada, mas simplesmente como quem quer entender um assunto. Acho que a postura é por aí.

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