Próximo Imbecil Coletivo
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Texto de 03/04/2022
Pessoal, eu peço até desculpas pelo post. Ele vai ser pesado, vai ser mal escrito (estou em um celular), mas é que eu queria desabafar pelo menos desta vez. Esses dias veio me dando uma tristeza cada vez maior, um mal pressentimento, e aí a roda fechou hoje.
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O Próximo Imbecil Coletivo
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Foi hoje que acabei assistindo o vídeo do Pedro Augusto a respeito do "novo Olavo de Carvalhp", e é hoje que me vem a definição do próximo problema que já estamoa enfrentando, mas que vai piorar mais ainda. Esse problema, por sua vez, vai gerar um outro ainda maior, como vou tentar explicar. E nada disso e novo: é a própria lógica que nos move, e é isso o que me deixa mais puto e deprimido.
Na entrevista o Pedro admite o que eu já estava pressentindo: dos olavettes maiores, cada um,tomou uma posição dentro do universl aberto pelo Olavo, conforme suas áreas de interesse, e fixou ali território. Ótimo: daí pra frente vão girar ali em tormo e desenvolver em detalhes o que Olavo colocou, talvez, mais genericamente. O Pedro comemora esse fenômeno. Mas não o aprofunda. É preciso então remexer pra ver suas conclusões.
Primeiramente, esse fenômeno não é novo. Eu estudei algumas situações, sobretudo no universo pop, por ser mais simples e rápido de medir os efeitos pela sua própria natureza, e vi ali essa mesma coisa: surge uma obra. E na medida em que ela faz sucesso, sua unidade se quebra em milhares de pedaços conforme suas possibilidades intrínsecas. Gosto de usar se exemplo o jogo Undertale. É um jogo estranho, porque toda a sua composição foi feita para falar aobre a questão do perdão, mas obviamente essa parte só pode ser captada quando se analisa sua unidade. O que ocorre nele é a massificação pela sua aparência imediata: assim, enquanto jogo ele tem música, gráficos, personagens, falas, narrativa, e tudo isso vira material para uma infindável lista de imitações (covers), cada um com seu talento específico: guitarristas, cantores, pianistas, djs, designers, escritores de novaa narrativas etc etc.. Assim, surge um "fandom", um ambiente consumidor desses conteúdos parciais, que aumenta sua replicação e produção. Mas a unidade em si da obra se perde cada vez mais no mar de materiais parciais. Eu não vi ABSOLUTAMENTE MINGUÉM recompondo a unidade de Undertale, unidade essa que poderia incluaive fazer uso da popularidase das imitações parciais para levar a mensagem real a mais pessoas. Não houve. Não há. Não chama atenção nem é comercializável. Por isso, inclusive, compor algo em estilo pop: ao menos algo dali fica espalhado.
De volta a Olavo. Não é preciso dizer que no nível popular a mesma coisa aconteceu, e propoaitalmente pelo Olavo. Ele criou um estilo pop, e isso se fragmentou em inumeráveis imitações: o cigarro, o ora porra, a imitação dos gestos no homem-aranha lá, músicas, slogans, frases de efeito etc. Etc.. e igualmente as imagens parciais negativas criadas pela mídia, pela Heloísa etc., nada de novo: cada um fala do Olavo que conheceu. O problema é o resto ignorado e que cada um decide manter ignorado.
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Mas até aí é o polularzão. Mesmo a ideia é popularzão. De modo geral ninguém ali tá preocupado em se aprofundar em nada, porque importa mais manter uma imagem pública e condizente com a que te fez ganhar aquele cargo. E o resto é resto. E quem é olavette já sabe que não há muito o que se esperar dai, nem da univeraidade. No mímimo pela sua própria estrutur, fundada em especialidades e cada vez maia requerendo-se sub-especialidades pela quantidade de especialistas já no mercado, o sujeito gasta mais e mais tempo numa sub-área da linguagem, da física, da história, e perde os conhecimentos gerais que aprofundariam sua visão até do tema. A história perde a literatura, a literatura perde a filosofia, a filosofia perde a linguística, a linguística perde a antropologia, a antropologia perde a religião, e tudo isso gera a perdq de pessoas responsáveis por ter uma visão que vá da cultura real até a cultura erudita. Tudo se fragmenta, a linguagem fica caótica, mas foda-se, todo mundo confia que a universidade caminha para a perfeição do conjunto, ainda que ninguém o veja. Outra lenda diz que a fragmentação, como em Undertale, ou Olavo ou Carpeuax em relação à sua recepção no nosso país, leva ao abismo.
Mas não, não é da mídia nem da universidade que eu queria falar. É dos olavettes.
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Apesar da mudança no nível, a especialização dos Olavettes de alto nível - Ítalo Marsili, Rafael Falcón, o Thomas Giulliano, o próprio Pedro Augusto, o Caio Perozzo, o Taiguara, o Francisco Escorsim etc - e mesmo os "semi-olavettes" (se aproveitam da roda, mas não são ecatamente olavettes) como o Paulo Cantarelli etc, implica na quebra da imagem original e a separação em várias línguas diferentes, irreconciliáveis entre si exceto quando tomadas a partir da unidade do Olavo. Não falo por implicância: eu sou um bostinha, e sei qus somos todos jovens. Mas eu vejo essa irreconciliação já de agora nas rodas olavettes, a partir dos seguidores.
Em1o lugar, se o Seminário deixa de ser centrado numa pessoa para ser em várias, ele não é um cenrro filosófico: é um centro cultural. É a mesma imagem: o um se quebrou em vários. Do mesmo modo, quando o Sílvio sugeriu chamar alguém pea ensinar Latim, surgiu uma peleja chata pra cacete de pessoas discutindo coisas diferentes como se fosse a mesma. Em 1o lugar, latim PARA QUÊ?, em 2o lugar, para que Olavo propunha latim? Questões não postas, maa "ah Rafael Falcón é contra o método natural", "ah mas o método natural ensina melhor", "ah mas a gramatica latina do Napoleão", "não, mas a Gramática Metódica". Gente, isso não é discussão séria, é a queda da dialética pra retórica: os fundamentos da questão não foram postos, então a discussão só não se prolongou para sempre porque, como é o normal, o poder do grito e da moderação falou mais alto.
Mas isso é um exemplo. Quem diabos já parou para imaginar a interação entre a estétca de Paulo Cantarelli, treinado no armorialismo de Raimundo Carrero que preza pelo popular, ordenado e comunicável, com o domínio do classicismo por Rafael Falcón? E como entra o imaginário de Francisco Escorsim e imitadores nessa história?
Ninguém liga. Não ligando, essas varias concepções, parciais, porque coexistem sem que tenha sido feita uma dialética nem pro público (comp em debates) nem pessoalmente (como no filósofo) geram nos seguidorea visões de mundo contrastantes dentro da própria roda. E é óbvio que se nem os mestres dão o exemplo, menos ainda os seguidores se darão o trabalho de fazer o esforço dialético.
O que acontece nisso tudo é, no melhor dos casos, a formação de uma "universidade paralela", como o Ítalo (?) já tenta demonstrar, terminando por provar o novo esfarelamento do saber no seio mesmo da roda que nasceu de um homem de cultura ampla e que queria nos ensinar a ordenação individual do saber.
A longo prazo isso significa justamente um esfarelamento cada vez maior. E quanto mais esfarelado, mais se perde a habilidade da dialetica. E, com ela, mais esfarelamento. Enquanto isso a cultura real em que estamoa imersos vai sendo bombardeada por multidões de especialistas, cada um propondo o curso salvador, de maior ou menor nível, não importa, sem perceber que no fim seguimos do mesmo modo ao mesmo abismo de antes. Amortecidos, é verdade, com almofadas dasas por um conhecimento mais justo, mas acho eu que não são suficientes pra salvar da queda.
No fim se tudo, daqui a alguns anos, quando o esfarelamento que já ocorreu estiver ainda mais sem volta, o próximo Imbecil Coletivo terá a forma de uma tentativa de recompor esse caoa csa vez maior àquele velhinho que esteve conosco e que ora brincava, ora falava sério, mas por trás das duas máscaras era uma alma em busca de Perdão.
Pelo curso das coisas, acho que será inevitável, mais dia, menos dia.
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Eu não me incomodo com instagrammer, com quem queira garantir seu espaço sob o sol, mas eu sinto que tudo isso é parte das leis da carne, e que não vêm sem um preço pra todos nós.
Eu queria só fazer este post. E daqui pra frente não sei mais o que fazer. Estou deprimido não só por isso, mas hoje o golpe veio pesado. Se o post não sair do ar, ficarei à disposição pra respostas aos comentários. E então me aposento. Eu realmente estou anormalmente exausto. Deve ser frescura, mas pesou.
29Alexandre Cartianu, Gelson Silva e outras 27 pessoas
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